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Bom apetite, antropófagos!

Salvador, Pindorama, ano 456 da deglutição do Bispo Sardinha.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Seleção de passagens de Montaigne em "Dos Canibais"

Voltando ao meu assunto, creio que não há nada de bárbaro ou de selvagem nessa nação, a julgar pelo que me foi referido; sucede, porém, que classificamos de barbárie o que é alheio aos nossos costumes; dir-se-ia que não temos da verdade e da razão outro ponto de referência que o exemplo e a ideia das opiniões e usos do país a que pertencemos. Neste, a religião é sempre perfeita, perfeito o governo, perfeito e irrepreensível o uso de todas as coisas. Aqueles povos são selvagens na medida em que chamamos selvagens aos frutos que a natureza germina e espontaneamente produz; na verdade, melhor deveríamos chamar selvagens aos que alteramos por nosso artifício e desviamos da ordem comum. Nos primeiros, as verdades são vivas e vigorosas, e as virtudes e propriedades mais úteis e naturais do que nos últimos, virtudes e propriedades que nós abastardamos e acomodamos ao prazer do nosso gosto corrompido. E, todavia, em diversos frutos daquelas regiões, que se desenvolvem sem cultivo, o sabor e a delicadeza são excelentes ao gosto, comparando-os com os nossos.
(...)
Essas nações parecem, pois, bárbaras, simplesmente porque mal acusam ainda o rastro do espírito humano e estão muito próximas da sua ingenuidade original. As leis naturais que as regem estão ainda muito pouco adulteradas pelas nossas; mas há nisso tal pureza que lamento, às vezes, que delas não houvesse conhecimento antes, nos tempos em que existiam homens que as sabiam julgar melhor do que nós.
(...)
Vivem numa região do país muito aprazível e tão saudável que, segundo me dizem meus testemunhos, é raro encontrar-se lá uma pessoa doente; e asseguram–me também que nunca lá viram gente com tremuras, nenhum remelento, desdentado ou vergado sob o peso da velhice. Estão estabelecidos ao longo do mar, e defendidos do lado da terra por grandes e altas montanhas que se estendem a distância de cem léguas do mar aproximadamente. Têm em abundância carne e peixes, que em nada se assemelham aos nossos e que comem sem condimento, apenas assados. O primeiro homem que lhes apareceu montado a cavalo, embora já se tivessem relacionado com ele em várias viagens anteriores, causou-lhes tanto horror naquela postura que o mataram a setadas antes de o reconhecerem. Suas casas são muito compridas, com capacidade para duzentas ou trezentas almas. Cobrem-nas com a casca de grandes árvores, estão fixas à terra por um extremo e apoiam-se dos lados umas contra as outras, como algumas das nossas granjas; a parte que as cobre chega até ao solo, servindo-lhes de flanco. Têm madeira tão dura que a usam para cortar, e com ela fazem espadas e grelhas para assar os alimentos. Os leitos, feitos de tecido de algodão, estão suspensos do tecto como os dos nossos navios, e cada um ocupa o seu, porque as mulheres dormem separadas dos maridos. Levantam-se ao nascer do sol e comem logo depois, para todo o dia; porque não fazem outra refeição. Durante esta não bebem, como outros povos do Oriente, os quais, segundo Suidas, só bebem fora das comidas, mas várias vezes ao dia e abundantemente. Sua bebida é feita de certa raiz, e tem a cor dos nossos vinhos claretes. Só a bebem morna. Não se conserva senão dois ou três dias, tem o gosto um pouco picante, não sobe à cabeça, é boa para o estômago, e tem o efeito de um laxante para os que não estão habituados a ela, mas para os outros é muito agradável. Em vez de pão, comem determinada substancia branca, uma espécie de coentro açucarado. Provei-a; é doce e um tanto insípida. Passam o dia a dançar. Os mais moços dedicam-se à caça grossa, armados de arcos, enquanto uma parte das mulheres trata de esquentar a bebida, sua principal ocupação. Há sempre um ancião que, de manhã, antes da comida, faz prédicas em comum a todos os habitantes da granjaria, passeando de um lado para o outro, e repetindo várias vezes a mesma exortação até dar a volta à casa (porque são construções que medem uns bons cem passos de comprimento). Só lhes recomenda duas coisas: valor para se defrontarem com os inimigos e amizade para as mulheres. E jamais deixam de ponderar esta última obrigação, repetindo sempre que são elas que lhes conservam a bebida morna e bem temperada. Pode-se ver em certos lugares, e entre eles em minha casa, onde tenho alguns, a forma de seus leitos, de seus cordões, de suas espadas e dos braceletes de madeira com que cobrem os punhos nos combates, bem como das grandes canas abertas em uma das extremidades e ao som das quais marcam a cadência da dança. Trazem a cabeça rapada e fazem a barba muito melhor do que nós, sem necessidade de outra navalha que não seja a madeira e a pedra. Crêem na eternidade das almas: as que merecem bem dos deuses repousam no lugar do céu onde o sol nasce, e as malditas no lado do Ocidente.
Têm não sei que espécie de sacerdotes e profetas que raras vezes se apresentam diante do povo e que vivem nas montanhas. Quando eles chegam, celebra-se uma grande festa, e uma assembleia solene, da qual participam vários povoados (cada granjaria, como já descrevi, forma um povoado, que fica distante do mais próximo uma légua francesa aproximadamente). O profeta fala-lhes em público, exortando-os à virtude e ao dever; mas toda a sua ciência ética se resume em dois artigos: resolução para a guerra e afecto às esposas. Fazem-lhes prognósticos sobre as coisas do futuro e os acontecimentos que devem esperar de suas empresas, encaminhando-os ou desviando-os da guerra. Mas, se falham no adivinhar, se acontece o contrário do que predizem, são presos, esquartejados em mil pedaços e condenados. como falsos profetas. Assim, o que uma vez se engana desaparece para sempre.
(...)
Fazem as guerras às nações situadas do outro lado das montanhas, terra a dentro; vão a elas completamente nus, levando como únicas armas arcos e espadas de madeira aguçadas na ponta, como as línguas dos nossos venábulos. É coisa de maravilhar a firmeza de seus costumes, que acabam sempre em mortandade ou em efusão de sangue, pois não sabem o que seja fuga ou pânico. Cada qual traz por troféu a cabeça do inimigo a quem deu morte, e pendura-a à entrada de sua casa. Depois de terem dado por algum tempo bom trato aos prisioneiros, facilitando-lhes todas as comodidades ao alcance de sua imaginação, o chefe congrega seus amigos em uma grande assembleia; ata uma corda a um dos braços do prisioneiro, segurando na outra ponta, a alguns passos de distância, com medo de ser ferido, e dá o outro braço a segurar, da mesma forma, ao melhor de seus amigos; então ambos o abatem a golpes de espada, perante toda a assembleia. Feito isto, assam-no e comem-no entre todos e enviam alguns pedaços aos amigos ausentes. Isto não é, como se poderia imaginar, para alimento, como os antigos Citas, mas sim para levar a vingança ao último extremo. E a prova é que, sabendo que os Portugueses, que se tinham aliado com os seus adversários, aplicavam outra espécie de morte aos canibais quando estes caíam prisioneiros, morte que consistia em enterrá-los até à cinta e assestar à parte descoberta grande número de setas, enforcando-os depois, pensaram que, como eram gente do outro lado do mundo, e tinham propagado o conhecimento de muitos vícios entre os povos seus vizinhos e os avantajavam na mestria de toda a sorte de malícias, não realizavam sem razão aquele género de vingança mais dura que a sua, começaram a abandonar seu antigo método para adoptar aquele. Não me pesa acentuar o horror bárbaro que tal acção (significa, mas sim que tanto condenemos suas faltas e tão cegos sejamos para as nossas. Penso que há mais barbárie em comer um homem vivo que morto, dilacerar com tormentos e martírios um corpo ainda cheio de vitalidade, assá-lo lentamente e arrojá-lo aos cães e aos porcos, que o mordem e martirizam (como vimos recentemente, e não lemos, entre vizinhos e concidadãos, e não entre antigos inimigos, e, o que é pior, sob pretexto de piedade e de religião) que em o assar e comer depois de morto.
(...)
Podemos, pois, achá-los bárbaros em relação às regras da razão, mas não a nós, que os sobrepassamos em toda a espécie de barbárie. Sua guerra é toda nobre e generosa e tem tanta desculpa e beleza quanta se pode admitir nessa calamidade humana; seu único fundamento é a emulação pela virtude. Não lutam para conquistar novas terras, pois ainda desfrutam dessa liberdade natural que, sem trabalhos nem penas, lhes dá tudo quanto necessitam e em tal abundância que não precisam de alargar seus limites. Encontram-se ainda nesse estado feliz de não desejar senão o que as suas necessidades naturais reclamam; o que for além disso é para eles supérfluo. Geralmente, entre os da mesma idade, chamam-se irmãos; filhos, os mais novos, e os velhos consideram-se pais de todos. Estes deixam a seus herdeiros a plena posse dos seus bens em comum, só com o título todo puro que a natureza concede a suas criaturas ao depositá-las no mundo. Se seus vizinhos transpõem as montanhas para os atacar e são vencidos, o único lucro do vitorioso é a glória e a mercê de os haver dominado em valor e virtude; aliás, de nada lhe serviriam os bens dos vencidos, porque quando regressa ao seu país nada lhe falta do que necessita, nem mesmo essa grande qualidade de se saber felizmente conformar com a sua condição e viver contente com ela. O mesmo se dá com os outros. Para o resgate dos prisioneiros exigem-lhes apenas a confissão e o reconhecimento da derrota; mas não se encontrou um em todo um século que não preferisse a morte a quebrantar, de ânimo ou palavra, um só ponto da grandeza da sua invencível coragem, ou que não preferisse ser morto e comido a pedir clemência. Dão-lhes todas as comodidades imagináveis para que a vida lhes seja mais grata, mas, ameaçam-nos frequentemente com a morte futura, com os tormentos que os esperam, com os preparativos feitos para tal fim, com a destruição dos seus membros e o festim que celebrarão à sua custa. Fazem tudo isso para lhes arrancar da boca alguma palavra de fraqueza ou de humilhação, ou os induzir a fugir, vangloriando-se então de os terem amedrontado e quebrantado a sua firmeza.
(...)
Voltando à nossa história, os prisioneiros, longe de se renderem diante do que se lhes faz, conservam um ar alegre nos dois ou três meses que estão em poder do inimigo; incitam seus donos a apressar-lhes a morte; desafiam-nos, injuriam-nos, lançam-lhes em rosto a sua covardia e o número de batalhas por eles perdidas contra os seus. Conservo uma canção feita por um desses prisioneiros, onde se encontra este lance: “Que venham todos quanto antes, e se reúnam a comer minha carne, porque comerão ao mesmo tempo a de seus pais e avós, que outrora alimentaram e nutriram meu corpo. Estes músculos, diz ele, esta carne e estas veias são as vossas, pobres loucos; não reconheceis que a substância dos membros dos vossos antepassados ainda está em mim’? Saboreai-os bem, que acháreis o gosto da vossa própria carne”. Nesta composição não se adverte por forma alguma a barbárie. Os que os pintam moribundos e os representam no momento do sacrifício, pintam o prisioneiro cuspindo na cara de seus matadores e fazendo-lhes visagens. Em verdade, não deixam até ao último suspiro de os insultar e desafiar por palavras e obras. Eis aqui, sem mentir, homens completamente selvagens em contraste conosco; porque ou eles o são na realidade, ou o somos nós. Há uma enorme distância entre a sua maneira de ser e a nossa.
Os homens possuem várias mulheres, e tantas mais quanto maior for a sua reputação de valente. Entre os casados, é coisa bela ,e digna de nota que o zelo, que nossas mulheres põem em nos evitar a amizade e a benevolência das demais, põem as deles em lhas adquirir. Prezando a honra dos maridos sobre todas as coisas, usam da maior solicitude em agenciar o maior número possível de companheiras, pois quanto maior for o número destas melhor será o testemunho das virtudes do marido.
(...)
E, para que não se pense que tudo isto obedece a uma simples e servil obrigação a que estão ligadas, ou a qualquer espécie de antiga submissão à autoridade dos maridos, à falta de discernimento e cordura, ou a terem a alma tão entorpecida que não são capazes de mais, mostremos alguns traços da sua inteligência. Além do que já citei de uma de suas canções guerreiras, conservo outra, amorosa, que começa assim: “Detém-te, cobra; detém-te, para minha irmã tirar do padrão de tuas cores o modelo e o desenho de um rico cordão que quero dar a minha amiga; que a tua beleza e condição sejam sempre louvadas entre todas as serpentes”. Esta primeira estrofe é o estribilho da canção. Ora, eu tenho bastante convívio com a poesia para julgá-la, e parece-me que não somente nada há de barbárie em sua inspiração, mas que é também completamente anacreôntica. A linguagem, aliás, é doce e de som agradável, parecendo-se nas terminações com a língua grega.

11 comentários:

  1. Fábio Bonfim Souza Santos1 de maio de 2011 13:52

    Bom, a julgar pelo conteúdo deste texto a discussão proposta caminha a saber, para o tema: Bárbaro X Civilizado. O texto matriz "Dos Canibais", traz um olhar de um europeu numa terra nova com indivíduos diferenciados; daí a riqueza apresentada por Michel de Montaigne (1533 - 1592), quando faz de sua experiência uma obra marcada de percepções dos usos, custumes, culturas, entre um povo considerado selvagem. Contudo, eles são de fato selvagens? Só para ilustrar imaginemos os índios ocupando à praia quando as caravelas chegaram e, como escreve Caminha:"[...]Não fazem o menor caso de encobrir ou de mostrar suas vergonhas[...]". Penso na perplexidade do europeu com o traje do índio (ou nenhum traje). Esse sentimento reflete o lugar de onde eles falam, sua cultura, sua concepção de mundo; para eles (os europeus) "aqueles pobres diabos" não tinham vergonha, sua cultura era primitiva e teriam que se adequar ao sistema civilizado. Novamente penso, dessa vez na perplexidade do índio vendo aqueles "caras pálidas" vistidos com roupas até o pescoço num sol típico de verão; qual foi sua interpretação? estavam ali seres parecidos com eles, mas de cultura estranha, ou sem cultura... Com isso quero afirmar que um sentimento de estranhamento houve entre ambas as partes, porém os civilizados compreendiam que toda cultura diferente a deles era bárbara! O que ocorreu foi séculos de sobreposição dos europeus, em sua maioria, sobre os povos americanos e africanos, em sua maioria. Por conta da capacidade armamentista, por terem organizações como: exército, governo, religião entre outros. O mais estranho é que os povos considerados bárbaros também possuiam, em certa medida, organizações similares, por isso, não se justificava a palavra bárbaro ou selvagem para outros humanos diferentes em diversos aspectos, mas iguais na humanidade. Refletindo do ponto de vista contemporâneo não devemos julgar a história; pois os fatos nela narrados dizem respeito a uma concepção de mundo pontual, nada tendo que ver com nossa realidade! A qual impera a desconstrução da ideia de cultura hegemônica, na perspectiva do multiculturalismo. Nessa direção o texto nos provoca a, em primeiro lugar, conhecer um outra opinião a despeito da civilidade de um cultura dita como selvagem, ao mesmo tempo reconhecemos as diferenças culturais; explícitas na cultura do outro. Esse conehcimento gera opiniões que ressignificam a prórpria historia. Reflito: os indígenas só eram bárbaros ou selvagens na percepção do europeus. Talvés os bárbaros fossem eles mesmos (os europeus), que não compreendiam a cultura do outro.

    Fábio Bonfim, estudante da UFBA: Bacharelado Interdisciplinar em Humanidade - Noturno.

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  2. O Gosto Corrompido
    "(...)melhor deveríamos chamar selvagens aos que alteramos por nosso artifício e desviamos da ordem comum.Nos primeiros, as verdades são vivas e vigorosas, e as virtudes e propriedades mais úteis e naturais do nos últimos, virtudes e propriedades que nós abastardamos e acomodamos ao prazer do nosso gosto corrompido(...)"
    Corromper: perverter, tornar podre, subornar, seduzir...
    Poderia ser Co-romper, participação do sujeito no processo social da ruptura do homem com o natural. Provavelmente por causa da limitação geográfica do continente europeu, a natureza não se apresentava tão imperiosa como as dos povos que habitavam espaços naturais com generosa e poderosa abundância natural.Será se povos europeus, por exemplo,precizariam desenvolver outros meios de sobrevivência,se possuíssem tal monumental natureza como nos trópicos?.Provavelmente os índios fariam a mesma coisa se estivesse do outro lado.Assim,todos os homens, ao meu ver, são corruptíveis.

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  3. victor sobral de moraes10 de maio de 2011 11:46

    Deve-se saber que nós seres humanos tendemos a comparar para que possamos entender, porém, entendo que no texto temos que fazer uma comparação subejetiva, já que da mesma forma que os canibais absorvem a sabedoria e virtude de seus oponentes quando vencidos, também o fazemos quando até hoje temos na sociedade ocidental as virtudes e sabedorias de antigas civilizações e seus sábios. A barbarie seria então o metodo com o qual os canibais simbolicamente festejavam a absorção destas?
    Vejo assim esse certo equivoco em comparar civilizações tão diferentes objetivamente.

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  4. Barbárie de fato é o que assistimos no decorrer do desenvolvimento da sociedade. Esta que se auto-intitula "civilizada" é ao mesmo tempo autora das maiores barbáries da história da humanidade. Seus meios são modernos e implacáveis na execução do ato bárbaro e seus fins injustificáveis.
    Como comparar a conduta de um "grupo" que oferece a oportunidade de liberdade aos seus inimigos em troca da admissão de sua derrota, colocando à prova sua coragem, com um outro "grupo" que imparcialmente e sem ao menos dar o direito de defesa, elimina dezenas/centenas de inocentes com objetivos humanamente incompreensíveis? As condutas da sociedade moderna sim revelam o quão bárbaro é o homem.

    Willian Mendes da Silva - B.I Humanidades - Noturno

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  5. Miguel Angelo Santos Assunção19 de maio de 2011 21:31

    A exclusão, a negação do ser sempre foi presente na história da humanidade, assim como julgar o outro apartir da sua ótica isso tem uma raiz no egocentrismo que os europeus dissiminaram pelo mundo.
    entender a antropofagia é buscar compreender o pensamento, a cultura, do homem em sua diversidade e tempo, Montaigne teve a sensibilidade de perceber que de barbarie o indigena não tem nada ele procura volirazar o aspecto humano, civilizado - contrariando o contexto em que vive: uma sociedade de cultura eurocêntrica - Montaigne estuda os comportamentos e ações dos indigena através de uma perspectiva etnografica tentando mostrar que a barbarie esta dentro daqueles que se acham ou se autodenominam civilizados!

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  6. Analisando o texto: “DOS CANIBAIS", de Montaigne devemos ter a seguinte percepção.
    Afinal quem seriam os bárbaros naquela nação?
    Devemos julgar como barbárie uma religião ou uma cultura alheia a nossa?
    Certamente não devemos julgar a cultura e nem perfeição posta à religião na antiguidade. Fazendo uma análise crítica não apenas do texto mais da historicidade da criação da sociedade, torna-se perceptível que a denominação barbárie não atende a realidade daquela época. Por estar em jogo questões bastante significativas, que a meu ver é cultura de um povo, oriundo dos costumes o qual está atrelado a valores que não podem ser desprezados, nem avaliados isoladamente de outros fatores. Não existe superioridade quanto se tange a cultura, nenhuma detêm a razão e a verdade absoluta.
    Essa visão do autor sobre o Velho e o Novo mundo, clara através da interpretação do texto, demonstra a necessidade da sensibilidade para compreender o outro. É através da compreensão que passamos aceitar o outro sem julgar. Temos a plena consciência de que não se trata uma tarefa fácil, talvez um dos maiores desafios de todos os tempos.
    Não temos como negar que ainda em pleno século XX, o estranhamento causa desconfiança e em muitos momentos medo, daí as diversas interpretações sobre a questão do canibalismo.
    Segundo Montaigne, os “bárbaros” não seriam aqueles que habitavam a parte desconhecida do mundo, mas sim os indivíduos que se encontravam no Velho Mundo. Posição a qual concordo e entendo que a história permanece em suspenso e inacabada.

    Vanessa Cerqueira de Souza- BI Humanidades (Noturno)

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  7. O objetivo do texto é desmistificar a idéia de que nos povos que habitavam o novo continente eram bárbaros, ou seja, selvagens, tanto no seu modo de vida como também a forma como eles praticavam os cultos canibais. Diziam que lês não tinha organização, nem discernimento do certo ou errado. Eram simplesmente incapazes de agir como pessoas humanas, sendo perversos por natureza, ao ponto de praticar o canibalismo por simples prazer pessoal. Mas pelo que foi relatado no texto percebemos que esses povos chamados de bárbaros, muitas vezes eram mais civilizados que os próprios europeus, pois, eles agiam socialmente, melhor do que aqueles que eram considerados como civilizados. Eles respeitavam á natureza, como também os seus semelhantes e viviam de acordo com as regras estabelecidas nas suas aldeias.
    O canibalismo tão criticado pelos europeus, no qual esses habitantes do novo continente vazia uso, por isso eram chamados de selvagens, era um simbólico, ou seja, uma tradição de guerra desses povos, e não um simples ato de barbárie, ou seja, matar e devorar por prazer.
    Acreditamos como foi relatado no texto, que essas gentes consideradas como bárbaras, na realidade, não é nada do que diziam os seus descobridores¨, eles são muitas vezes mais civilizados que os povos considerados como seus salvadores. Percebe-se nas suas maneiras de agir, como eles se organizam e se relacionam, no qual, nenhum deles sente o desejo de matar por prazer, e nem tampouco destruir a natureza, na qual eles vivem.

    Paulo Roberto S. Menezes - BI Humanidades (Noturno)

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  8. Ramon Maia- aluno de humanidades noturno20 de maio de 2011 22:17

    Realmente não existe de forma alguma nada de bárbaro no selvagem:
    Seus costumes e seus atos julgados pelos 'civilizados" como atos de barbarie eram de caráter ritualístico, a antropofagia não consistia em somente comer a carne humana para saciar a fome mas sim para absorver características daquele bravo guerreiro capturado na batalha ao contrario dos chamados povos "civilizados" que cometeram diversas atrocidades ao longo da história. A industrialização e impessoalidade dos homicídios são características Totalmente "civilizadas" o homicídio cometido através de meios técnicos e por fim políticos, atos esses completamente distintos daqueles praticados pelos povos selvagens nos quais os interesses eram de natureza política e econômica, coisas que os selvagem em suas sociedades desconheciam pois para eles não existia política territorial, a terra era pra ser de uso geral e quando estava gasta eles iam para outro lugar pra deixar aquela área se recuperar.
    viviam em paz e respeitavam suas mulheres,ao contrario das sociedades machistas civilizadas européias na época em que o texto foi escrito.
    Atos Bárbaros foram na realidade cometidos pelo povo que viu a barbarie em um bom povo, povo esse desimados pelo processo de civilização e poder.

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  9. A fim de fortificar as bases morais e culturais de uma sociedade, os costumes e princípios são positivamente passados de geração á geração. Porém, a humanidade sofre da necessidade de se auto-afirmar possuidora da razão e junto com a sabedoria própria do povo, é transmitido aos mais novos a idéia de que tudo que for contrário, estranho ou alheio ao que lhe foi transmitido, é errado e deve ser rejeitado. Segundo Montaigne, “classificamos de barbárie o que é alheio aos nossos costumes; dir-se-ia que não temos da verdade e da razão outro ponto de referência que o exemplo e a idéia das opiniões e usos do país a que pertencemos.” Entretanto, como já se sabe, não há uma verdade absoluta, não há apenas um modo de vida melhor e aceitável. Sentimentos xenofóbicos e etnocêntricos apenas segregam e impedem o indivíduo de vivenciar novas experiências, compreender diferentes perspectivas, crescer culturalmente. Sábios, de fato, são os desprendidos de arrogância e envoltos da humildade necessária para perceber que nada sabem e se permitir aprender um pouco mais, a cada dia, com todos.

    Daniele Leite,
    Graduanda do Bacharelado Interdisciplinar em Saúde, Estudo das Humanidades, Turma 08.

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  10. O que podemos observar no texto " dos Canibais" de Montaigne é a imagem de um povo dotado de grandes costumes, respeito a natureza e religiosidade,povos estes considerados selvagens pelos europeus por apresentarem culturas diferente a deles que tinha a prentensão de domina-los e impor a sua cultura e religião.
    Quando os selvagens assim chamados pelos europeus matavam seu inimigos eram em atos de guerra para preservar sua tribos ao contario dos europeus que cometiam barbarie, atos de crueldade politicamente organizada de uma nação, intitulada civilizada para dominar e impor seus costumes.
    Laisse Reis B.I Humanidades Noturno

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  11. Ao falarmos em barbárie vale primeiro salientar a etmologia da palavra que é de origem grega que na Antiguidade designava nações não-gregas consideradas de incultos, atrasados e brutais, eram considerados selvagens.
    Se considerarmos que toda civilização que não seja a nossa é selvagem, bárbara, estariamos infrigindo o que há mais de belo nas civilizações que é a diversidade, a pluralidade. Nestas circunstâncias desrespeitamos toda bagagem cultural que o outro tem a demonstrar.
    Pensar em barbárie no seculo XXI é pensar em ações motivadas, pensadas e “arquitetadas”, pensar em barbárie hoje é vê o Estado utilizar de recursos para demonstrar poder, força e soberania. E ver a guerra com uma bárbarie pensada, na qual usam-se todas as armas disponiveis para destruir o outro, para impor seu Poder.
    Todo ato de violência é injustificável, mais a que vivenciamos hoje é pior de todas, pois matam pessoas inocentes, separam crianças de seus familiares, mutilam pessoas e deixam marcas psicologicas.

    Adriana dos Santos Souza, estudante do curso BI Humanidades, Turma - 08

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