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Bom apetite, antropófagos!

Salvador, Pindorama, ano 456 da deglutição do Bispo Sardinha.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

A ANTROPOFAGIA OSWALDIANA COMO FILOSOFIA TRÁGICA (resumo)

O texto discute o caráter trágico - no sentido que Nietzsche interpreta essa concepção em suas obras Crepúsculo dos ídolos e Ecce homo - da concepção filosófica da Antropofagia, elaborada por Oswald de Andrade e apresentada nos textos publicados a partir de 1944, particularmente A crise da filosofia messiânica(1950), Um aspecto antropofágico da cultura brasileira(1950) e A marcha das utopias(1953). A discussão da perspectiva trágica da filosofia antropofágica de Oswald se apóia também na análise dessa produção teórica em conexão com seu Manifesto antropófago, de 1928, cujas intuições poéticas são retomadas pelo autor quando este busca dar à antropofagia o status de uma visão-de-mundo (Weltanschauung).

Após apresentar a concepção nietzschiana de filosofia trágica, considera-se a influência do pensamento nietzschiano no modo como Oswald pensa o que ele chamou de “sentimento órfico”, com seu “caráter orgiástico”, que se desenvolve a partir do “instinto antropofágico”, enquanto “instinto lúdico”.

Mostra-se como isso é conduzido no sentido da transmutação de valores operada pela “transformação do tabu em totem”, inversão da tendência repressora dos processos de socialização, descrita pela interpretação freudiana em Totem e tabu.

Isto aponta para uma valorização da experiência do ócio criativo característico das culturas primitivas em confronto com os valores religiosos promovidos pelo sacerdócio (interpretado por Oswald como ócio sagrado) e os valores capitalistas do mundo dos negócios (interpretado por ele como negação do ócio).

O caráter trágico do pensamento antropofágico de Oswald será então evidenciado pela sua afirmação da vida como devoração, ou seja, devir apropriativo dos acontecimentos da existência em sua singularidade, capaz de digerir as experiências vividas e incorporar os impulsos mais vitais. A alegria seria então, nesse modo antropofágico de viver, “a prova dos nove” da afirmação trágica da vida que Nietzsche chamou de sabedoria dionisíaca.

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